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Tiago Petreca

A Liderança que compreende-se poderá compreender o outro e assim terá compreendido o que é alta performance

Os esforços de desenvolvimento humano aplicados nas companhias sérias expressam, por muitas vezes, o desejo por uma evolução humana, que por si gera os resultados procurados pelos executivos.

A priori não haveria outra razão para se gastar tempo e dinheiro com educação corporativa, que não pela busca de melhores resultados para a própria companhia. Desde seus primórdios industriais, as relações humanas pautadas pelo contexto corporativo, foram estabelecidas por meio de uma troca linear: força de trabalho por um salário. Fato este que ainda persiste nas companhias, que neste texto ou melhor dizendo, neste contexto, poderei chamar de “menos sérias.”

Por Tiago Petreca

Espera-se que, devido ao intelecto humano, faça parte da existência um processo de evolução, que neste sentido significa para nós aqui, uma ampliação da capacidade de compreender o mundo que habita e como suas decisões e ações interferem, positiva e negativamente, neste sistema. Impossível negar que já tivemos um grau elevado de evolução, não no que tange a competência criativa para as técnicas que resultam no alcance inovador e tecnológico atual. Trata-se de alcançar, sim, uma consciência mais madura quanto aos efeitos dos esforços em prol de progresso e poder.

Há certos abusos cometidos através do conhecimento adquirido. Muitos entenderam seus efeitos sobre a mente humana e assim criaram estratégias que se apoiam em atividades quase que puramente marketeiras afastando-se da realidade mais dura e por vezes cruel, que é ser simplesmente um ser vivente no mundo. Aqui me refiro ao ser humano em sua singularidade, objeto dos esforços educacionais que visam a melhora da performance. O volume de profissionais que invadem a mídia com conteúdos e formas de apresentação, cujo objetivo aparente é elevar o potencial de sua platéia, é quase que uma totalidade. Fala-se o que se deseja ouvir. Embora parte do que se fala carregue potenciais verdades estas estão sujeitas às interpretações de quem as ouve e apostando em certas interpretações audaciosas, os que falam inflamam tal tendência ao ponto de se chegar a conclusões falaciosas, com as quais muitos encontram, não mais do que frustração, por simplesmente tentarem ou significarem realidades que não lhes pertence. Falas como “você pode tudo” , “o céu é o limite” , “sonhe alto, sonhe grande, sonhe muito e infinitamente” podem ser interpretados de forma que se venha a crer no impossível, suportado por outra fala “Não sabia que era impossível foi lá e fez.”

O limiar entre o que de fato significam estas afirmações e o que podem significar no âmbito da subjetividade inevitável de cada ser humano é muito tênue, ficando fácil cair na vala da crença salvadora por meios que parecem receitas, fórmulas e equações resolvedoras de conflitos e problemas bastante complexos, como é a vida de qualquer pessoa, inclusive.

Embora nenhuma empresa, ao menos as sérias, chegue aos seus colaboradores e lhes apresente falas essencialmente motivacionais no âmbito de inflamar a chama da performance e o alcance de resultados a quase qualquer custo, ainda assim há uma enorme expectativa de que o dinheiro e tempos gastos nos esforços educacionais gerem os resultados desejados. Isso é natural do mundo capitalista. Assim funciona, todo o resto é acessório, divergindo, neste tema, aqueles que fazem isso apenas de forma cosmética e outras de forma estrutural.

Assim a função do líder no contexto da educação corporativa torna-se ainda mais relevante. Dada a aparente injustiça da natureza, aos olhos humanos, em sua distribuição de talentos o mais salutar que um líder pode fazer é ajudar seu liderado a compreender que o céu não é o limite, que não se pode tudo. Contudo, o céu particular de cada um, este sim é seu próprio limite. Ajudar o time a entender qual é a sua montanha a ser escalada, do que se trata seu próprio topo.

Os esforços educacionais mais sérios primam por este entendimento, no qual o desenvolvimento da competência que gerará os melhores resultados corporativos é aquele que gerará os melhores resultados individuais. O colaborador que compreendeu suas próprias potencialidades, que entendeu qual a sua própria montanha, do que se trata o fruto que ele ou ela precisa produzir a partir de sua singularidade fará uma evolução muito mais rápida e sólida, pois está baseada naquilo que de fato o compõe, sem que se espere que de uma macieira venha uma pera.

Com isso em mente, aquele na posição de liderança institucionalizada deve buscar compreender-se nestes mesmos termos e clarificar suas próprias potencialidades. Feito isso, ganha a competência consequente para sentar-se com cada um de seus liderados e de fato os conduzir na construção de uma trilha individual de desenvolvimento que parte do princípio da evolução própria em que aquilo que é natural daquela pessoa será fertilizado, potencializado pelos recursos oferecidos pela companhia. Inicia-se por entender tais potencialidades e interessa-se por desenvolvê-las. Contudo, há que se ter um alinhamento importante. Aquelas potencialidades devem ser as mesmas ou muito próximas das necessitadas pela própria companhia para que esta alcance seus resultados, humanos e financeiros. Caso haja um distanciamento neste aspecto, potencialmente a pessoa está alocada na função, local ou até mesmo empresa errada.

A união dos poderosos recursos de uma empresa, com a correta intenção educacional e compreensão da singularidade de cada liderado, certamente colocará a organização em uma posição privilegiada no mercado atual que já entendeu que agilidade, observação e humanização são fundamentais para a manutenção da vida.

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Fraterno abraço e Sucesso!
 

Tiago Petreca

Mentor de líderes

Criador do Método Mapa da Liderança e Work Life eXperiencce

Sócio Fundador da Kuratore

Country Manager getAbstract Brasil

Autor do Livro “Do Mindset ao Mindflow”

tiago.petreca@kuratore.com.br

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