Por Tiago Petreca
Bate uma saudade de uma pessoa querida. Esta pessoa, contudo, está longe, vários quilômetros separam você de um abraço apertado ou ao menos da possibilidade de vislumbrar o semblante querido. Você então considera suas opções: Ligo (telefone mesmo, daqueles fixos) ou mando uma carta. Talvez o que você queira expressar seja algo mais íntimo e gostaria de colocar de uma forma adequada. Neste caso sua escolha é pela carta. Talvez seja apenas um “olá" o suficiente para amenizar a saudade, então você disca o número, que há uns 30 anos atrás eram apenas 6 dígitos, facinho de decorar.
Se você já vivenciou esta cena sabe que as trocas de informação eram bem mais restritas, falávamos de acontecidos de dias, semanas ou até mesmo meses passados. Atribuíamos um ar de suspense ao dizer “Você sabia que…?”
Hoje, você e eu experimentamos uma realidade muito diferente, uma que nos afeta, diariamente: nosso mundo digitalizado. Aqueles muitos quilômetros que nos separam de quem sentimos saudades é facilmente transposto por um simples toque no APP de nosso smartphone. Talvez a saudade tenha diminuído com tanta intensidade de interações. Até nossos chefes e clientes nos encontram nos mais variados horários e locais, sendo que ainda podemos nos beneficiar do que se chama de assincronicidade, que em outras palavras é o "vejo a mensagem mas dou aquela bela ignorada!”
Entretanto há um lado muito bacana advinda dessas interações tão intensas. Para que criemos novas hipóteses e oportunidades mais informações podem ajudar bastante, pois temos mais variáveis para combinar e desta combinação fazer surgir muitas outras coisas, transformando nossa mente em uma usina de ideias. Ganhamos a capacidade de gerar mudanças mais rapidamente, pois a informação chega muito mais rápida, em grande volume, como um tsunami que surfamos diariamente. Ao passo que geramos mais mudanças rapidamente, geramos efeitos desejados e indesejados. Toda ação gera uma reação, isso ainda não mudou! Contudo, nem toda reação será o que esperamos. Basta ver as decisões sobre a COVID, abre, fecha, proibi, libera, tudo isso em um curtíssimo intervalo de tempo.
A cada decisão que tomamos, mais rapidamente, mais reações surgem, parte delas desejadas e parte delas indesejadas. Como o volume é muito grande, acabamos por ter muita coisa indesejada acontecendo. Pegue por exemplo as previsões feitas por diferentes especialistas. Tais previsões miram em reações desejadas, mas que quando de fato se concretizam apresentam uma realidade indesejada. Creio que a fala de Ricardo Amorim pode ilustrar bem isso, quando disse: “Deus criou os meteorologistas para nós economistas nos sentirmos melhores com as nossas previsões. E descobri que os analistas políticos existem para que os meteorologistas não se sintam tão mal com as previsões deles.” [1]
Se as previsões em um cenário relativamente estável, comparado com o que temos hoje já tinham boa margem de erro, agora tais previsões afetam nossa existência cotidianamente. Se considerarmos a natureza humana, que depois de garantidas suas necessidades fisiológicas, busca segurança na previsibilidade, creio que é absolutamente acertado afirmar que estamos vivendo um momento de muita insegurança já que a previsibilidade tem caído por terra e por bits!
Você, humano como eu, sente-se como, frente ao imprevisível, diariamente? Ansioso(a)?
O que acontece quando estamos mais ansiosos? Nossa capacidade de centrarmos atenção no momento presente diminui loucamente.
Diariamente eu compartilho em minhas redes sociais, conteúdos em vídeos, audios, lives, infográficos, e tudo para fazer com que você também tenha uma vida integrada.
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