Por Tiago Petreca
Falou Marco Aurélio.
“Lembra-te de quanto tempo já adiaste essas coisas e quantas vezes, um certo dia e uma certa hora, por assim dizer, foram estabelecidos a ti pelos deuses e tu os negligenciaste. É chegada a hora de compreenderes a verdadeira natureza do mundo, da qual tu fazes parte. E daquele Senhor e Governador do mundo, de quem como um canal direto da fonte, tu mesmo fluíste. E que existe somente certo limite de tempo designado a ti, que se não fizeres uso dele para te acalmares e amenizar as muitas enfermidades de tua alma, ele passará, e tu com ele, e nunca mais voltará.” (Livro: Meditações de Marco Aurélio, “Segundo Livro, pág 37, Meditação 01).
A finitude e a responsabilidade que temos para conosco mesmo e nossa história, podemos entender de Marco Aurélio, a necessidade de olharmos para nossa alma, nossa mente, nosso existir e através desta consciência e responsabilidade assumirmos a trajetória de nossas realizações para que elas expressem o máximo de nosso potencial.
Visite sua história!
Ao visitarmos nossa própria historicidade, como chamamos na Filosofia Clínica, podemos compreender a soma de nossos passos. Alguns deles se tornaram momentos divisórios em nossa vida e alteraram o rumo de nossa caminhada. Esta soma resulta em quem somos hoje. Aqui, então, entra a reflexão desta nossa conversa.
Qual a origem da sua história de liderança? Quais caminhos você percorreu por causa deste inicio? Quais momentos se tornaram memoráveis para você e para aqueles que seguem seu comando? Por que? Para onde você está SE levando?
Ao olhar para o que já foi, imagino quais as lições possíveis de serem extraídas em prol do que virá. Imagino quais os critérios utilizados para cada decisão tomada e acima de tudo, o quanto está clara a origem destes critérios. Quando pensamos em termos de uma liderança extraordinária, o fazemos apoiado na ideia de coerência. Contudo, somos seres, que ao final, agimos de forma coerente com aquilo que nos é mais íntimo. Entretanto, isso não significa que há uma coerência explícita entre aquilo que é feito e aquilo que é dito, mas certamente há alinhamento entre o que se faz e o que se tem de verdadeiro dentro de cada um.
Incoerente?
Talvez possa parecer estranha essa minha afirmação, pois se advogo em prol da coerência e digo acima que somos coerentes necessariamente, qual análise caberia aqui, afinal de contas? Essa colocação é essencial para, inclusive, nossa sanidade. Seremos sempre coerentes conosco mesmos. Geraremos critérios, dada a circunstância que enfrentamos conforme aquilo que neste momento valorizamos. O problema é que não necessariamente verbalizaremos tais valores, embora eles aparecerão em nossas ações. Quando falo que advogo pela coerência é na verdade um processo de revelação de você para com você mesmo, um movimento em prol da queda de máscaras colocadas, muitas vezes, para que se torne possível, em principio, a convivência em certos ambientes.
Nos mais diversos lugares acabamos fazendo isso, jogamos o jogo e assim manipulamos o sistema em beneficio de nossos interesses. Isso é natural, o que não significa ser necessariamente aceitável. Adaptar-se a um ambiente é importante, mas mascarar-se daquilo que não lhe é genuíno é manipulação.
Disfuncional, embora natural, porém não recomendável!
Citei muitas vezes o Patrick Lencioni, um dos autores cujo trabalho utilizo intensamente em meu próprio trabalho. Em sua pirâmide, na qual retrata os 5 desafios das equipes, podemos encontrar o que acabei de relatar acima bem no nível do “medo do conflito.” Tal medo é resultante do desafio (ou disfunção, como no livro original) denominado “Ausência de Confiança.” Aqui o autor trata, essencialmente da capacidade de todos, começando pela liderança, de se fazer vulnerável perante o time. Quando isso não é possível, por algumas razões, colocamos nossas máscaras e em muitos casos, nossas armaduras. Ao fazer isso, ainda agiremos conforme nossos valores mais íntimos, mas movidos por uma busca mais imediata e provável, a da sobrevivência. Ao buscamos sobreviver a um ambiente em que não se pode ser vulnerável fingimos cortesia, generosidade, camaradagem, parceria, cooperação mas que não se tornam realidade na prática, nas decisões e nas ações e por isso mesmo, o conflito necessário não acontece e por causa desta disfunção o terceiro nível aparece: A falta de comprometimento que é, em si, a expressão mais clara e nítida das máscaras presentes.
Assim, ao olharmos para nossa história de liderança, quais aspectos podemos levantar quanto aos nossos valores, quanto às razões pelas quais decidimos ser um líder e qual a visão que estamos perseguindo e partilhando com nossos times? Estamos sendo fiéis a nós mesmos e ao nosso ambiente de trabalho ou estamos apenas utilizando da inteligência para “administrar” em causa própria?
Uma vez respondida, sinceramente, esta pergunta podemos ampliar o olhar e trazer para nossa responsabilidade potenciais desafios que estamos enfrentando, pense nisso!
Sucesso e que sua história seja grande!
Fraterno abraço e Sucesso!
Tiago Petreca
Mentor de líderes
Criador do Método Mapa da Liderança e Work Life eXperiencce
Sócio Fundador da Kuratore
Country Manager getAbstract Brasil
Autor do Livro “Do Mindset ao Mindflow”
tiago.petreca@kuratore.com.br
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